Coluna publicada no dia 30/3/17 do Correio Popular
Com tantos números impressionantes na campanha da Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa 2018, fica até difícil escolher um assunto como tema da coluna. Eu poderia escrever sobre a sequência inédita de oito vitórias nas Eliminatórias. Ou então sobre o fato de que o Brasil seria o líder mesmo sem contar os pontos das seis primeiras rodadas, nas quais foi comandado por Dunga. Outro tema interessante seria Neymar. Aos 25 anos, já tem 52 gols pela Seleção. Fez um golaço no Uruguai, outro no Paraguai e atravessa uma fase espetacular. Apanhou muito, como de costume, mas se mostra mais maduro para lidar com o problema. Existem outros bons assuntos, mas vou me concentrar no trabalho de Tite. Aqui, mais uma vez, o universo de opções é enorme. Mas vou escrever sobre apenas uma das muitas virtudes do treinador. Paulinho foi um dos grandes nomes do Corinthians nas conquistas de títulos importantes entre 2011 e 2013. Além de marcar bem e ter um bom passe — virtudes que fazem de qualquer volante um grande jogador —, Paulinho frequentava a área adversária como se fosse um meia-atacante. Ele participava com naturalidade de lances ofensivos e sua capacidade de fazer as duas coisas tão bem o levou ao futebol europeu. Depois da Copa das Confederações de 2013, da qual também foi campeão, Paulinho foi vendido ao Tottenham por 20 milhões de euros. Na Inglaterra, porém, as coisas não deram certo. O rendimento caiu, ele não conseguiu se destacar e em 2015 foi para o Guangzhou Evergrande. Parecia estar condenado a jogar apenas em ligas de menor visibilidade, como a chinesa, até retornar para um grande clube brasileiro, já perto do final de sua carreira. Era difícil imaginá-lo novamente em um time forte de uma das grandes ligas europeias ou na Seleção Brasileira. Mas Tite, seu treinador nos anos de ouro do Corinthians, assumiu o comando da equipe nacional. E convocou o volante que há dois anos não tem se destacado. Ninguém esperava o retorno de Paulinho à Seleção. Mas Tite confia no atleta e na própria capacidade de tirar tudo o que ele pode oferecer à equipe. E em pouco tempo, mesmo atuando em uma liga menos competitiva, Paulinho voltou a ser brilhante. Na semana passada, ele se transformou no primeiro jogador da Seleção Brasileira a marcar três gols no Centenário de Montevidéu. Na terça-feira, fez duas assistências de calcanhar. Duas. E de calcanhar. Sem Tite, Paulinho é só um bom volante. Com Tite, se transforma em um jogador capaz de fazer coisas de dar inveja a qualquer craque.