CAMPINAS

Superbactéria isola UTI do Celso Pierro

Administração do hospital da PUC-Campinas anunciou a suspensão de novas internações na ala

Bruna Mozer
27/07/2013 às 05:07.
Atualizado em 25/04/2022 às 07:22
Hospital Celso Pierro constatou superbactéria resistente a antibióticos (Cedoc/RAC)

Hospital Celso Pierro constatou superbactéria resistente a antibióticos (Cedoc/RAC)

O Hospital e Maternidade Celso Pierro, da PUC-Campinas, isolou, no final da tarde desta sexta-feira (26), leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta após ser identificada a superbactéria Klebsiella pneumoniae. O local tem 19 leitos, sendo que 17 deles estão ocupados. No entanto, o número de pacientes que estão isolados ou infectados será divulgado apenas neste sábado (28) pelos dirigentes da instituição.Essa superbactéria tem resistência a determinados antibióticos e pode causar pneumonia, infecções sanguíneas, urinária, em feridas cirúrgicas e enfermidades que podem evoluir para um quadro de infecção generalizada, que pode levar à morte.Outras alas do hospital, como o pronto-socorro e UTI infantil, estão funcionando normalmente. Em nota divulgada na tarde de sexta, o hospital alegou que a medida foi tomada para “possibilitar o controle da situação e evitar novos casos.” Informou também que, em relação aos pacientes infectados, eles estão isolados e recebendo o tratamento adequado. Pessoas que necessitarem de internação em UTI serão transferidos.A Secretaria de Saúde entrou em contato na noite de ontem com os hospitais municipais Dr. Mario Gatti e Ouro Verde para que haja um reforço da equipe e da estrutura física desses locais para atender a demanda de pacientes. Com os leitos isolados, deverá haver sobrecarga nas outras unidades.Segundo a diretora do Departamento de Gestão e Desenvolvimento Organizacional da Prefeitura, Ivanilde Ribeiro, foram identificados na central de regulação de vagas dez leitos a menos para atender paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) com o fechamento do Celso Pierro. No Mário Gatti, segundo ela, são 16 vagas na UTI disponíveis, e 20 no Ouro Verde. “Estamos pedindo ajuda ao governo do Estado para ajudar no que não conseguirmos atender”, disse Ivanilde. BactériaSegundo a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da Prefeitura, Brigina Kemp,a mortalidade nesse tipo de infecção é considerada alta. De acordo com ela, é comum que pessoas sejam infectadas por essa bactéria em ambiente hospitalar. Isso porque, afirma, sua transmissão pode ser observada em pacientes com imunidade baixa. De acordo com Brigina, o bacilo pode ser encontrado em fezes e outros lugares fora dos hospitais, mas são nas pessoas mais vulneráveis que ele age de forma mais intensa.A bactéria tem sido encontrada em vários hospitais do Brasil e do mundo, inclusive nos Estados Unidos, onde ela foi identificada pela primeira vez. “Essa bactéria surgiu a partir do uso indiscriminado de antibióticos e sofreu mutações”, disse Brigina. Por isso, para que o paciente infectado possa ser curado, é preciso buscar outras alternativas de medicamentos, como outros antibióticos.A transmissão pode acontecer por meio do contato pessoal, pelas mãos, ou ferramentas, por isso a necessidade de manter o paciente isolado. HCEm abril, o Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) investigou a presença da bactéria superresistente KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase). De dezembro até março foram registrados 11 casos de contaminação em pacientes pela superbactéria em duas unidades de terapia intensiva (UTI). Os pacientes foram isolados e tratados.Os casos foram monitorados pelo Centro de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH).

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