É fácil adivinhar os motivos que levaram a diretoria da Ponte Preta a liberar o espaço Brahma a todos os torcedores no jogo de domingo. Mas é difícil entender por que a diretoria liberou esse espaço. Ele deveria ser exclusivo do TC10+.
Claro que a torcida da Ponte Preta terá um papel fundamental no duelo único das quartas de final do Campeonato Paulista. A pressão das arquibancadas no Moisés Lucarelli é um trunfo da Macaca para tentar bater o Corinthians mais uma vez nesta competição. Abrir os portões de todos os setores do estádio é um sinal de que a diretoria sabe da importância que o torcedor tem para a equipe. E é justamente aí que está o problema. Sabendo dessa importância, a diretoria deveria investir em atrair novos torcedores para o TC10+, e não o contrário.
Ao liberar para o torcedor comum o espaço que seria exclusivo — aquele mais nobre do estádio, com todo o conforto e comodidade a quem paga todos os meses por ele — a diretoria dá um tiro contra o próprio pé. Afinal, quem vai se interessar por contribuir todos os meses com o clube do coração se na hora H, na fase decisiva, tem de dividir sua exclusividade com todos os outros? Aliás, pode acontecer até de o membro do TC10+ não conseguir entrar no setor prometido pelo programa. Cobrar o valor integral do plano trimestral, como anunciado, também não é justo, muito menos atrativo.
Não quero dizer aqui que um torcedor é mais importante que o outro. Muito pelo contrário. Mas é a constatação do óbvio.
O TC10+, assim como todos os outros programas de sócios-torcedores existentes no Brasil, foi criado como alternativa para gerar receita ao clube, em uma época de dificuldades financeiras para todos. Mas não adianta à Ponte ou a qualquer outro clube querer receber o dinheiro sem dar nada em troca. É preciso valorizar aquele torcedor que todo mês deixa uma parte de sua renda reservada ao clube.
O próprio Corinthians tem um ótimo exemplo de programa de sócios-torcedores, com vantagens e benefícios claros aos associados. Um dos critérios de desempate para a aquisição de ingressos é a assiduidade do torcedor no estádio. Tanto que o corintiano de Campinas, que não participa do Fiel Torcedor, não verá a cor do bilhete do jogo do próximo domingo.
Hoje são quase 6 mil integrantes do TC10+, número que poderia aumentar bastante se houvesse um planejamento de marketing competente no clube para trabalhar o bom momento vivido pela equipe dentro de campo com os torcedores. Para dar um passo em direção ao futuro, é preciso evoluir a forma de trabalhar.