O longo julgamento do caso do mensalão entra nesta semana em fase decisiva, esgotados que foram todos os recursos protelatórios e as arguições de revisão de pena, pedidos de novo julgamento, em batalha judicial na última instância do Judiciário. Espera-se para os próximos dias que se consiga colocar um ponto final na agonia da sociedade de ver por longos anos um caso tão sério sendo marcado pela impunidade abrigada nos meandros dos recursos e prazos regimentais.Nesta semana, o ministro Joaquim Barbosa rejeitou a possibilidade de um novo julgamento que, ao final, permitiria a revisão das penas desde que os acusados pudessem rebater as condenações. No caso de José Dirceu, a expectativa era de que em novo processo se poderia rejeitar a acusação de formação de quadrilha, o que teria como consequência a redução de pena. Resta como última etapa a decisão sobre a existência ou não do recurso dos embargos infringentes, que poderiam estender ainda mais o prazo para a execução definitiva da pena de prisão para os condenados (Correio Popular, 6/6, A13).Em primeiro plano, está a clara percepção da sociedade do quanto a justiça brasileira é formada por intrincada teia de legislação, que permite os envolvidos em um crime ocorrido há quase dez anos ainda não terem sido presos. Reforça o conceito de que a mão pesada da lei recai sobre o cidadão comum, mas é facilmente recolhida nos casos de crimes políticos. Não por acaso, a corrupção é hoje o maior dos males do setor público.A sociedade brasileira espera pela definitiva condenação para lavar a alma. O escândalo foi emblemático. Não foi o primeiro nem o último caso de corrupção no meio político, mas foi certamente a primeira vez que o tema veio à opinião pública com a crueza das imagens de pagamento de suborno, a desfaçatez dos envolvidos, a certeza do delito que sequer foi negado — apenas se tentou descaracterizar com apodos como caixa 2, recursos não contabilizados. Nem mesmo as evidências e as confissões abreviaram o rito judicial.Agora está chegando a hora de avaliar a capacidade de a Justiça brasileira dizer a que veio, colocando um ponto final, nem que seja para dar alívio à angústia dos condenados que, a esta altura, não deve ser pequena. De resto, deve prevalecer o senso de justiça que já foi apurado com a indignação popular, e que o mensalão seja exemplar para dar início a uma mudança real no quadro político brasileiro.