CARLO CARCANI

Uma seleção que evolui

Carlo Carcani
20/06/2013 às 23:42.
Atualizado em 25/04/2022 às 12:08

A eletrizante partida entre Itália e Japão na quarta-feira levou os 40 mil torcedores que foram à Arena Pernambuco ao delírio. Além de todos os ingredientes de um grande jogo (sete gols, viradas, bolas na trave...), o duelo teve o sempre interessante poder de superação de um pequeno diante de um gigante.

A Itália, tetracampeã mundial, teve que se esforçar muito para vencer por 4 a 3 uma seleção que se orgulha apenas de ter alcançado as oitavas de final nas Copas de 2002 e 2010.

A torcida brasileira foi ao delírio com a performance da zebra, mas o que me chamou mais a atenção não foi o poder de superação da equipe asiática em 90 minutos, mas sim a sua impressionante evolução em um período de vinte e poucos anos.

Até a criação da J-League, no início dos anos 90, a seleção era uma das mais frágeis do planeta. Integrante do quadro da Fifa desde 1920, o Japão nunca deu muita bola ao futebol. O que interessava era o beisebol.

Com a liga profissional, o Japão passou a contar com atletas e treinadores estrangeiros. Entre os muitos brasileiros, destaque para Zico. Embora inocentes, os japoneses começavam ali a aprender como se joga futebol.

A seleção não se classificou para a Copa do Mundo de 1994, que contou com 24 seleções. Na edição seguinte, com 32 vagas disponíveis, chegou lá. Em gramados franceses, não somou nenhum ponto e marcou apenas um gol. Mas também não deu vexame. As derrotas para Argentina, Croácia e Jamaica foram todas por apenas um gol de diferença.

Depois disso o Japão não ficou fora de mais nenhuma Copa. Em 2002, em casa, não apenas pontuou, como também passou da primeira fase. Em 2006, decepcionou em virtude da experiência acumulada até então. Foi eliminada com apenas um ponto e sofreu sua primeira goleada em Copas (4 a 1 para o Brasil).

Na África do Sul, o Japão voltou às oitavas e só foi eliminado nas cobranças de pênalti. Hoje, já classificado para o Mundial de 2014, o Japão impõe respeito. Não vai brigar pelo título, mas tem condições de incomodar qualquer adversário, um tetracampeão inclusive.

O futebol japonês soube tirar proveito da experiência dos estrangeiros que foram disputar a J-League e hoje está em outro nível. Seus melhores atletas conseguem jogar nas mais importantes ligas da Europa e com isso a seleção também cresceu.

A brilhante partida contra a Itália não foi obra do acaso. O futebol do Japão tem uma impressionante capacidade de evoluir e esse processo está em curso. A Azzurra sentiu isso na pele na Arena Pernambuco. Foi um jogo emocionante, do qual o Japão saiu derrotado, mas um pouco mais experiente.

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