Depois de uma pré-temporada promissora, vem aí a nova Fórmula 1, com poucas mudanças de regras para não confundir tanto os apaixonados por velocidade, como no ano passado. Apenas uns ajustes aqui e ali, importantes para consolidar de vez as novidades bruscas de 2014 e outras para corrigir falhas, como a dos bicos desajeitados dos carros e as de segurança, com direito a safety-car virtual. Gostei, especialmente, da que não deixa uma punição para depois. Tudo é resolvido naquele fim de semana. Corrida nova, país novo, bola pra frente, até porque os fãs dessa etapa não podem ser prejudicados pela anterior. Quanto às limitações de motores e de marchas, que precisam ser mais duráveis, é justo pelo ponto de vista da busca por um mundo melhor e mais econômico, mas bastante hipócrita do ponto de vista da Fórmula 1, que sempre se gabou de ser a mais importante categoria do automobilismo, sempre com inovações tecnológicas, pautadas pelo melhor desempenho do componente. É por causa disso, aliás, que as corridas ficaram mais monótonas, sempre com a supremacia de umas poucas equipes com mais recursos para as inovações do que outras menos afortunadas. Décadas atrás, a disputa era na base da coragem do piloto para frear depois, ou na habilidade dele de trocar a marcha com uma mão e segurar o carro na outra, para dar apenas dois exemplos. Hoje o piloto tem controle de tração da largada até a bandeirada final, tem informações ao vivo de que parte do carro está mais quente ou mais fria, qual o grau de oscilação da suspensão e mais uma infinidade de botõezinhos pré-programados para cada momento específico da pista, entre outras comodidades. O que, invariavelmente, deixa a equipe, e não o piloto, ser a mais importante do espetáculo. Apesar disso, e da sabedoria popular de que a Mercedes é a maior favorita ao título da temporada antes mesmo da largada da primeira corrida do ano na Austrália, na madrugada de sábado, podemos ficar otimistas com algum lampejo de bons pegas nos circuitos do mundo. Felipe Massa já avisou que sua Williams está melhor que a de 2014, que já tinha feito uma evolução monstruosa do ano anterior e continuou melhorando no decorrer do campeonato. Já Felipe Nasr, que até quinta-feira era o titular da Sauber, tem tudo para mostrar serviço mesmo numa equipe pequena, coisa que ele fez na pré-temporada. Agora, se deixarmos o pachequismo de lado, é possível ser feliz torcendo por Hamilton, Rosberg, Alonso, Vettel, Raikkonen e Ricciardo. Por que não?