A participação do futebol campineiro na Copa do Brasil de 2019 durou apenas 180 minutos. Foram 90 minutos de mal futebol na terça-feira, em Aparecida de Goiânia, e mais 90 na quarta, em Santa Cruz do Sul. A pouca tradição dos adversários dá às eliminações um ar de vexame para Ponte Preta e Guarani. Derrotas como essas não são assim tão raras. O Aparecidense chega à segunda fase pelo terceiro ano consecutivo. Antes de despachar a Ponte Preta, fez o mesmo como Sport e Botafogo (RJ) nas edições anteriores. Sport que também já foi eliminado esse ano. Visitou o Tombense e apanhou de 3 a 0. O próprio Corinthians teve enorme dificuldade para passar pelo Ferroviário. Se tivesse jogado fora de casa, como prevê o regulamento ignorado pela CBF, seria ainda mais difícil. É possível, portanto, minimizar as derrotas de Ponte Preta e Guarani. Mas eu acho que seria muito positivo se tanto no Majestoso como no Brinco de Ouro esse tipo de fracasso fosse visto como inaceitável, vergonhoso, humilhante. Com todo respeito a goianos e gaúchos, o futebol campineiro só será maior do que é atualmente se ficar indignado com derrotas como essas. Entendo que os treinadores precisam ser comedidos nas entrevistas. Mazola soltou os cachorros no time após a derrota para o Bragantino e caiu dias depois. Mas isso não significa que se deva dourar a pílula após eliminações contra adversários desse porte. “Não foi excelente”, avaliou Jorginho sobre a primeira atuação da Macaca sob seu comando. “Nosso primeiro tempo foi excelente”, enxergou Osmar Loss na quarta-feira. Até fui pesquisar a definição de excelente para ver se não mudaram o sentido da palavra na última reforma ortográfica. Descobri que excelente ainda significa “muito bom, magnífico, perfeito”. O futebol da Ponte Preta esteve muito longe disso. Tivesse o Aparecidense um pouco mais de qualidade e o placar teria sido definido no primeiro tempo. Mas mesmo com seu elenco modesto conseguiu vencer por 1 a 0. No período em que Loss viu excelência, o Guarani teve duas, digamos assim, virtudes: chutou uma bola no travessão e manteve sob controle o 9º colocado do Campeonato Gaúcho. Na etapa final, foi envolvido e derrotado por um time que, pela primeira vez na história, disputou uma partida de Copa do Brasil. Derrotas como essas acontecem. Mas ambas deram um enorme prejuízo aos clubes e envergonharam as torcidas. É necessário que os dirigentes e os profissionais de Ponte Preta e Guarani se incomodem também. Pelo menos isso.